quinta-feira, 23 de julho de 2015

Resenha - Jonas Vai Morrer

Jonas Vai Morrer
Autor: Edson Athayde
Editora: Chiado
Nota:9.0


Pedro nosso protagonista é nos apresentado como um “zé ninguém”, não tem família, não tem amigos, não tem passado (pelo menos nenhum específico), não tem idade, não tem vida, não tem nada para contar ... nada.
Para se interagir de mais histórias, de fatos cotidianos ele passa os dias e noites em uma casa de Saúde, dividindo os momentos com os internos dos quais ele relata histórias, algumas engraçadas, e sobretudo lendo, desde clássicos da literatura, papéis, laudos médicos e informações dos internos, até mesmo enciclopédias.

De leitura em leitura ele encontra uns papéis do qual desconhece o autor, mais ao aprofundar nos relatos fica intrigado por conhecer nesses papéis a história de Jonas, mas o que se passa nesses relatos, é o próprio autor “desconhecido” quem descreve em primeira pessoa todas as informações os acontecimentos desses relatos da vida de Jonas, e inclusive momentos dos quais o autor desconhecido também faz parte. Um novo passatempo para distrair a mente de Pedro.

Enquanto vai lendo os papéis, vai se intrigando mais ainda por perceber que o autor tem participação na vida de Jonas, porém o autor é também um zé ninguém assim como Pedro, o autor usa da boa influência de Jonas para brilhar no meio da sociedade, para ser visto e conhecido. O tal autor exalta a beleza de Jonas, dizendo que ele é bonito, sedutor, alegre e cativante, mas o desconhecido deixa claro também o quanto é o parasita, o sugador da alma, da energia e a inveja é o prato principal nessa amizade “falsa”, e ele não esconde hora nenhuma das pessoas que os rodeiam a inveja que sente de Jonas, segundo Pedro ia lendo, ia percebendo isso também.

Se enveredando nas páginas soltas do que estava agora para mim parecendo um manuscrito, Pedro lê uma frase que chama bastante sua atenção: “Jonas vai morrer”. Sem entender muito o que leu, começa a perceber que aquela história poderia ser muito mais do que só histórias e muito perturbado, decide investigar sobre o assunto. Conforme vai lendo e entrando mais no enredo, não sabe mais o que é ficção e o que é realidade, se sente maravilhado com tudo que lê, porque tudo aquilo foge de sua atual realidade e até de sua própria vida, vazia e sem nenhuma emoção.

O autor parece ter escrito esse manuscrito para o próprio Pedro, e começa a desafiar sua inteligência e sanidade a ponto de Pedro começar a pesquisar e investigar para descobrir se Jonas era alguém real. Na cabeça de Pedro ele enumera as possibilidades, se Jonas estava vivo, ou se essa “ameaça” de morte já teria se cumprido, ou se era somente um personagem fictício dessa história que depois de muita descoberta percebeu que não era loucura e não invenção. Nesse percurso surgem ligações entre os moradores da casa de repouso que mesmo “vegetando” numa vidinha parada, numa cidade pacata, aparecem meio que citados no enredo desse “romance” que para mim depois dos relatos que surgem, está mais para ação policial. Ao que tudo indicou esses moradores da casa, haviam sido citados nas muitas histórias contadas no começo de toda a trama, para que se somassem com glórias e um grande louvor no desfecho de toda a trama de tirar o fôlego e o final da história é realmente arrebatador e surpreendente, aquela frase: ” nunca pensei que fosse acontecer isso no final de toda a trama”, ficou em minha mente muitos dias depois de ter lido o final daquele que descrevo agora como “romance, policial, teatral”.

Notas de resenha:

Livro surpreendente e arrebatador, uma obra gostosa de se ler, com uma narrativa que hora te transporta para uma história antiga e que depois parece estar sendo contata para os dias de hoje. A todo momento parava e me perguntava ... “nossa, que Jonas, sem drama, sem apego” e que pessoa é essa sanguessuga, mas esse tipo de pessoa é o que mais existe hoje em dia, pessoas que sugam a nossa energia, e querem a todo custo um pouco do sol que nos erradia.
Minha nota é 9,0, pois queria um pouco mais de história, e fiquei com pena de Pedro, mas enfim arrebatadora da mesma forma.

Gostei muito de um trecho do livro que mesmo não gostando de Spoolers, vou deixar como água na boca para vocês e por favor, depois desse trechinho, tirem suas conclusões:


“Duvide de tudo o que está escrito, juramentado, lavrado em notário. A verdade não precisa de recibo. Já a mentira gosta de formulários e segundas vias, por isso é sempre mais convincente. Documente a sua mentira em papel timbrado e eu serei seu amigo devoto. Diga a sua verdade sem comprovantes, modelo 14, devidamente carimbados e rubricados, e eu chamarei a polícia”. Pag.63

Resenha feita por: Vick Duque- Admin do Blog